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segunda-feira, 31 de março de 2014

Tudo Bem




"Tudo bem, porque no final, o final é apenas um final."

O disfarce acabou, os amigos se foram e mostraram que nunca estiveram aqui, o amor perpetua em uma imensa aurora se passando por intocável. Mas foi uma barreira que eu mesmo criei, por meio de perguntas que eu saberia que não serie capaz de responder. Deixando essa função para o dia seguinte.

Era tudo mais fácil quando tudo que eu tinha eram as palavras. E hoje são elas que me dominam. Coloca os fatos jogados em minha mente e mais uma vez estou processando algo que pensara ter esquecido.

O vento deixou abafou o sol. Não somente "a festa acabou, a luz apagou, o povo sumiu, a noite esfriou". A claridade se foi, e eu sempre pensei que conseguiria andar na escuridão. O silência dominou a mais triste canção, e ele conseguiu ser ainda mais melancólico.

É um medo que eu mesmo criei. Foi feito por puro desespero, mas foi suficiente para espantar todos os ânimos de respirar e lutar. Está tudo bem!


quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Buscando Apatia


"Ele gostava de sofrer porque isso lhe fazia escrever"

E assim ele aprendeu a viver, ou melhor, acostumou-se com a vida. Não dava oportunidade para amar e qualquer amizade, ele deixava o vento levá-la. Para que sentimentos? Pensava que não havia reação que não pudesse guardar consigo. Não dava oportunidade de sentir alegria. Sabia que isso era medo de ser dominado pela tristeza, mas não de ser covarde, não tinha medo.


Era um jeito fácil de não sentir dor. Não se preocupava se isso era uma forma de se auto condenar a destruição, para ele o final era só um caixão. E de fato é. Deixava parecer vazio, porque não conseguia tirar nada de sua cabeça, não colocava nada para fora em busca de uma aparência apática. Ficava tecendo remorsos que poderiam facilmente sair se houver uma interação, mas tudo parecia tão impotente.

Ficava incomodado o avanço das pulsões, por isso ele gostava da chuva. Ela molhava a tudo e a todos. Enquanto para os demais era um atraso aos compromissos, um impasse para as relações, para ele era a purificação, um barulho que abafava os ruídos e levava embora as palavras que ele jamais conseguira dizer.

O tempo era um entretenimento, não fazia planejamentos para deixar o tempo ter esse prazer. Sabia quando o futuro daria errado, porque era simplesmente igual o presente, mas ignorava para ele poder fazer apostas consigo mesmo e testar o tanto que o destino estava ao seu favor. Se perdesse, era só partir para o próximo lance, porque não havia frustações em seu mundo.


Era uma forma fácil de impedir que entre algo que nunca saiu dele.




quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Hallellujah


Eu ouvi que tinha um chamado segredo, aquele que trazia toda a felicidade, uma escada para a lua e o paraíso. Pois, muito me interessei, mas já tinha visto muita televisão para saber que toda magia viria com um preço. Tinha que passar pelo pecado, pelo desconforto e pelo impacto. Preços que ainda não soube muito bem calcular o valor e muito menos se estou disposto a pagar.

Fiz um caminho que provavelmente não apresentou nada de novo, a não ser o seu criador. Seria suficiente? Um caminho que muitas vezes eu não conseguia acreditar e precisava recorrer a qualquer palavra comum para não ver perder em pedras que eu mesmo coloquei. Em uma vida que tento deixar louca, mas acaba somente longa. 

Talvez exista um novo Deus. Ele não controla as horas, mas pode ser detentor do tempo. Aquele tempo em que eu não consegui cumprir uma singela lista de desejo e controle de compulsões. Aquelas horas que me farão me impedir de dormir em uma insônia que me deixa impotente. Com medo de não amar nem a si mesmo, com medo de não conseguir dizer um frio e sólido Aleluia.

Não sei se fiz o meu melhor, mas sei que não foi suficiente. Isso é algo positivo, por não mostrar indícios de um final   Porque querer ver o mundo custa caro, querer entender todas as mentes e se colocar no lugar de todos coloca em risco a sua própria identidade. Essa que uma vez ou outra até se esquece que existe, até prefere ignorar que existe.

Já que é para falar do futuro, confesso que hoje ele me assusta. Ele me assusta pelo seu silêncio e pelos barulhos do presente que eu não sei interpretar. Ou talvez saiba e só não quero aceitar. E é por essa negação que hoje eu rezo, é por conseguir esse chamado segredo que eu temo. E é por não temer que eu apelo mais uma vez na negação. Uma negação que oscila entre estabilidade e constância, mas ao mesmo tempo leva todo meu desejo de simplicidade embora. Por isso só me resta dizer suspirando...

"...And every breath we drew was Hallelujah"

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

O Silêncio das Palavras

Hoje, palavra sagrada.
É uma tentativa de transformar em perfeição, de realizar desejos e arrancar sorriso. 
Contextualizado em um mundo que já não me repulsa, em uma tristeza que já não me atinge e em uma dor que morreu com o ontem.

Porque hoje eu sei que eu sou o próprio causador da minha insônia. Porque minha litost é apenas o princípio da superação.
Porque eu acredito em Deus, provavelmente não o mesmo que você, mas eu acredito. 
E mesmo que isso custe algumas vidas, mesmo que isso custe a minha vida: Hoje é o melhor dia da minha vida, porque é nele que eu estou vivo.
Realmente ficar sozinho é uma merda de vez em quando. Mas tenho que aproveitar enquanto ele dura, sem relógios, agendas, diários e calendários, apenas o silêncio das palavras.

Aproveitando que hoje somos marionetes guiadas pelo vento e pelos vestígios de luz, que nos levarão somente até amanhã. E amanhã já é outro dia, talvez até outro ano...sob a mesma vida.
 


"He laughed under his breath
Because you thought that you could outrun sorrow"


Feliz 2014!

domingo, 17 de novembro de 2013

Uma Noite e Meia

Enquanto todos exaltam as minhas conquistas individuais, vejo que elas não falem nada. Parece estranho escutar isso logo de mim que sempre condenei a cumplicidade, hoje eu entendo que era apenas eu que não estava preparado para recebê-la, talvez ainda não esteja.

Nunca soube processar muito bem filmes românticos e letras de amor, sempre achei uma tremenda perca de tempo, e hoje percebo que é o que falta em minha vida. Trocaria tudo por você,

Ter alguém para contar como foi o meu dia, minhas decepções e expectativas, fazer planos de uma eternidade, saber que no final de semana eu não estarei sozinho no Sábado a noite. Iríamos para qualquer lugar aproveitar o sereno, o vento e o escuro da noite, não teria hora para voltar e meu carro nunca seria tão grande. O sentimento faria o dinheiro ser secundário e passearíamos pelo mundo feito dois lunáticos sem direção.

Ficaríamos juntos para os problemas que todo mundo tem, rezaríamos para que nenhuma dessas tragédias que vemos na televisão acontecesse com a gente e o sexo sempre nos motivava a tentar ser o melhor para o outro. Não seríamos dois para o mundo, mas um para o outro.

Nunca pensei que me renderia a esse clichê, mas quero abandonaria minhas mil e uma noites de aventuras solitárias para ter uma noite e meia desse seu sabor.

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