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quarta-feira, 25 de maio de 2016

Os Celestiais


Eu pensei que você seria como a chuva, me traria alívio, por isso coloquei em você uma visão de tudo que eu podia ser. Enquanto eu fico preso no tempo, você voa pelo espaço e eu acho isso apaixonante. Adoro te ver percorrendo além do horizonte, indo em uma distância onde eu nunca fui capaz de chegar. Se isso é amor, não vou me importar se for, mas nem estou preocupado com isso.

Somos fantasmas em realidades paralelas que apenas trocam olhares quando se cruzam. Eu não me importo em ficar chamando sua atenção, gritando para você não se esquecer que eu existo, enquanto você viaja apenas pelo prazer de poder. Você gosta de poder! O poder me da prazer! Enquanto fico preso pela minha repressão, você circula para todos os cantos por não ter onde pousar.

Sei muito você. Será que você já percebeu isso? Ou isso já não é mais sobre você para você saber? A gente se ajudaria muito, a nossa união seria forte e muito legal, simplesmente porque nem somos tão fortes ou legais quanto adoramos fingir que somos. E a gente não se encontra, mas me contenho com os momentos em que nos esbarramos nesse jogo de egos, egos cheio de carência em que cada um sublimou de forma distinta.

É lindo que você não se importa, é engraçado quando você ignora, acho graça quando você não repara. Acho divertido essa brincadeira de tentar te controlar, é como se eu fosse seu dono, deixando toda exposição para você.

Se você se acha muito bom para mim é porque não tem ideia do quanto me acho ótimo para você, mas quem se importa? Eu que não. Para falar verdade, adoro sua ausência porque ela é mais sincera que a sua aparente presença, adoro o seu silêncio, porque sua voz é efêmera. Então, pode voar, continue me mostrando essa liberdade a qual você mesmo se aprisionou. Enquanto eu te vejo, eu vejo o céu... E é ele que me conquista.

terça-feira, 12 de abril de 2016

O Menino e o Relógio

Está tudo bem, é apenas uma falha, dessas que eu terei que levar para minha vida inteira. O caminho mais colorido sempre foi o mais sombrio e quanto mais eu me afastava dele, mais ele me sugava. Eu caí, eu desisti, eu nem tentei. Tudo bem.

Disparei contra os meus planos fingindo que o relógio era apenas um brinquedo, aceitei ficar parado achando que imóvel seria resistente o suficiente para barrar as areias da ampulheta. Parecia até que eu estava em uma gravação de filme, meu carro estava parado enquanto o cenário se movia, e eu ainda achava que estava avançando. Se sempre me dizia inteligente para todos, como não pude perceber que o tempo estava passando e eu estava no mesmo lugar?

O menino já não é tão só um menino, mas ainda não derrubou o castelo de areia porque não quer perder as regalias de ser um nobre . O conforto dessa construção é apenas pó, mas serve para fingir que vive e ainda parece ser mais atentadora que a liberdade. Fugir desses muros apenas para se refrescar com as chuvas brandas e correr para seus tetos no primeiro sinal de tempestade não é libertação. Seguir o vento não é criar asas, é seguir o fluxo estando despreparado para criar uma direção.

A culpa não pode ser sempre da falta de recurso, da rotina, da incompetência dos demais sendo que eu que estou inserido nesse contexto que só me atrasa. Se hoje sou inimigo do tempo, tenho que procurar formas de reconciliação porque esse é uma guerra que não sou capaz de vencer, e eu não posso passar uma vida inteira acumulando derrotas. Ou pelo menos não queria... Mas o tempo já passou, e essas ideias já mudaram, os ventos se foram e não conseguir estocá-los. Se eu era apenas um garoto, já nem sou mais, ou já nem sei mais.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Um Pouco de Paciência

"Será que é tempo que me falta para perceber?
Será que eu tenho esse tempo para perder?"

O desespero sempre tomou conta da minha vida. Era só eu perceber que eu não poderia ter o que eu queria, que me apressava e perdia aquela mínima chance de conseguir. Nunca entendi o significado da calma quando sempre ouvi que o tempo é curto e não há tempo a perder. E quando mais tempo eu tentava aproveitar, mas tempo eu perdia sem perceber.

Tenha calma...

Amizades, romances, textos, livros, projetos. Tudo que me definia simplesmente estava jogado a minha volta sem eu possuir nada. Eu já não tinha mais o que eu desprezava, já não queria mais o que eu tinha, e eu já sofria sem dar tempo ao futuro.

Tenha alma...

Não quero finalmente aceitar o que eu sempre neguei para continuar sofrendo. Não quero viajar milhares de quilômetros para receber as mesmas frustrações. Não quero perceber que estou desgasto diante várias tentativas, mas continuar vazio. Não quero me desgastar e desistir de ser feliz, mas até agora, nenhum caminho que percorri me levou à felicidade. Percorri entre simplórios e alternativos, rebeldes e alienados, entre aqueles que tinham o que eu queria ser e o que eram o que eu podia ser e vi que a alegria estava em todos os cantos, mas minha única companheira foi o cansaço.

A vida é tão rara...

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Ultrarromântico

Eu realmente acredito que essa vida seja como um sonho. Tão frágil e tão fácil de acabar. Os discursos que eu preparei se perderam sem concretizar, e o que eu sentia, fingia se evaporar, mas havia algo que nunca tinha escapado de mim. Assim, aprendi a construir uma fortaleza sobre minha pele para impedir qualquer tipo de empatia. Não quero que me entendam, eu sou apenas um ridículo mesmo.

Eu que tanto defendi a moral, quero apenas sobreviver. Eu que sempre sofri, neguei tomar comprimidos. Eu não quis melhorar, eu não soube me consertar. Eu que tinha medo do espelho, hoje o encaro todo dia tentando me encontrar. Me mata saber que frases tão clichês conseguem me interpretar, me mata que hoje eu recorro tudo aquilo que eu condenei, porque todos os caminhos alternativos que aspirem trouxeram prodígio e orgulho, mas nunca trouxeram felicidade.
Mas eu não canso, eu não desisto, eu não aprendo. Eu sou chato mesmo, eu sou errado mesmo.

Eu que tanto condenei os valores de uma relação, busco me adaptar a eles. Sempre vivi na base da euforia e escapei de corações arrependidos. Por isso, não me esconda nenhum tipo de sofrimento, eu gosto dele. Eu gosto da dor e do caos, me permita essa escuridão por mais destrutível que ela seja.Então me diz você, porque eu já nem sei se prefiro a tristeza ou a alegria, a realização ou o tesão. Só sei que eu preciso trocar os meus vícios, porque não aguento mais o vazio, mas é ele que eu sempre recorro, é a única válvula de escape que eu tenho. Então não precisa me aguentar, nem me aceitar. Eu sou insuportável mesmo.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Memórias da Solidão


O tempo passou, eu sei.

Aprendi a aceitar o amor, a loucura e até a tristeza, mas não me preocupei em reagir a um furacão que a todo hora vem até mim querendo me devorar, todo vento dele já está dentro de mim de qualquer forma. Estou quebrado, caído, mas eu quero continuar sangrando porque a sua cura é a realidade alternativa.

Não digo que você é uma droga, porque é sua ausência que me vicia. Eu quero te perseguir, quero que você venha me salvar, mas eu não consigo me mover. É minha alternativa para a normalidade. É meu paraíso em chamas. É a razão da minha persistência. É um aviso para a vida não ser em vão.

Eu sei que não faz sentido, eu sei que é exagerado, mas é como eu sei lidar. Sem condições de realizar as fantasias, apenas delirando que você se encontra no mesmo inferno astral que eu. Mesmo quando estamos diante do outro, iremos inventar um motivo para evitar a consumação e ainda achar que não somos culpados. Isso é péssimo, é uma dor, é um vazio, mas eu quero mais. Eu não consigo largar, eu não quero perceber, quero sangrar ainda mais. Apenas oro para você continuar respirando quando amanhecer. Enquanto eu... sangro até a morte



Ao som de Velvet Crowbar.

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