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terça-feira, 28 de março de 2017

Espelho Longitudinal

Aos 18 anos, escrevi o seguinte:

"E o que me deprime é que com apenas 18 anos ja não faço promessas no ano novo, ja não me surpreendo com as pessoas e ja desisti em expectar uma inovação da sociedade. Mas [...] eu traço objetivos para uma vida, e não para o próximo ano; é uma das minhas tentativas de sair da cronologia. Entre eles estão o de escrever um livro, abrir uma ONG para cachorros abandonados, aprender finlandês. Enfim, embora pareço um descrente da vida, ainda não desisti de mim."

Agora com 24
anos, o mundo não mudou muito, mas aprendi a conviver com ele, não de uma forma que traga conforto, mas a dor diminuiu, viver não é um fardo a carregar como eu pensava. Sobre as conquistas, estou acabando minha segunda graduação, o que na verdade, não significa muita coisa porque no meio de tantas áreas que me interessam, ainda não sei qual a melhor opção para segui, e por isso, me encontro extremamente frustado no trabalho no último lugar que pensei que estaria. Eu conheci os meus melhores amigos depois dessa idade,hoje sou sociável, até demais, nunca pensei que detestaria ficar um sábado em casa. Tenho amigos, tenho histórias e aventuras para contar, tenho vontade de comemorar minhas vitórias com eles e me importo com suas vitórias também. Aceito críticas, derrotas, mas ainda não aceito errar, é onde eu me desabo e me torno extremamente frágil, ainda sou vítima do tempo e não posso voltar para corrigir os erros, e existem consequências que me destroem ter que lidar simplesmente porque eu as poderia ter evitado.
Aprendi a lidar com meu jeito, mas ainda não controlo minhas insônias. Emagreci 25 kg, estou muito melhor sim, mas ainda não cheguei onde gostaria. Escuto muita gente dizendo que é bobagem e perda de tempo me preocupar com a forma física e que o importante é ter saúde, mas eles não me conhecem. Não sabem que toda vez que olho para o espelho e vejo aquelas curvas, é relembrar de todos os traumas, bullyings e depressão que sofreu por conta do peso. Eu sei que simplesmente emagrecer a qualquer custo não é a melhor forma de curar isso, mas eu estou gostando de tentar ter essa mudança de hábitos e reconheço as qualidades que uma alimentação saudável me proporciona. Isso mostra que ainda não curei totalmente do meu trauma, e sei que não irei curar 100%, terei que conviver com isso para o resto de minha vida. Depois dos 20 anos, parei de fazer terapia, mas preciso voltar com urgência, mas agora sou adulto e isso está sujeito a aprovação financeira. Ainda defendo o capitalismo e tenho que aceitar as consequências por isso. Além de viver sem dinheiro, ou apenas não conseguir juntá-lo, o desejo de me tornar o escritor tem ficado cada dia mais distante, por sinal, é o que mais lamento nesses primeiros anos de vida adulta; parei de escrever. Escrever era uma forma de tentar me comunicar com o mundo, de tentar me entender, como minha vida social sempre esteve em alta, não priorizei as palavras... Mas se eu estou aqui, é porque de alguma forma ainda necessito dos meus versos. Ainda não situei minha vida, confesso que avancei, mas não realizei a grande mudança que eu me preparei minha vida inteira e que irá me dar total libertação, mas agora mais do que nunca, aposto em mim e sei que não vou durar muito, pelo menos assim. Seja conquistando uma fortuna como recompensa do meu esforço até aqui, ou seja perdendo tudo e tendo que começar do zero. Essa é minha despedida e mais do que nunca, todo desespero para ser feliz será finalmente conquistado.


terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Meu Problema


Hoje eu vou ser aquele que vai acordar amanhã arrependido por ter perdido mais um dia fazendo os mesmos erros. É a minha insônia, minha rotina estragada e estou no direito de pensar que aproveitar mais um dia não me traria benefícios porque eu não saberia nem por onde começar a gastar essas horas. Eu acordei com esse ânimo que só me faz afundar mais os meus problemas e não sou capaz de mudar minha inércia. Tem dias que viver é um porre mesmo, já aceitei. É meu problema.

Vou ser aquele que vai dar uma resposta mal educada, perder um prazo, esquecer aquele simples compromisso, negar um favor que não me custaria nada fazer e vou ter assumir as consequência. Serei aquele que arrancará reações de desgosto, aquele vão falar mal na rodinha de amigos que quando eu aparecer falarão que estavam discutindo um assunto aleatório.

Eu não gostaria que me tratassem assim, eu reconheço, mas falhei nesse dia. E posso falhar amanhã também. Não tenho desculpas e nem justificativas, estou sujeito a isso. Não posso obrigar ninguém a me amar e nem tirar a razão se quiser me odiar. Caso eu melhore no dia seguinte, terei ações opostas, talvez repare alguma coisa, mas as ações não se anulam nas percepções de cada um. São todos livres para ponderar o que quiser no julgamento das relações subjetivas e nada posso fazer, estou inserido nesse sistema.

Posso acordar e fingir um sorriso para todos, disfarçando para o mundo que está tudo bem e desabar quando estiver sozinho. Posso ser um exemplo a ser seguido do que não deve ser feito. Posso demonstrar características que me fazem preocupar com o próximo. Podes achar o que quiser de mim. Pode conviver com isso. Ou não! Tanto faz. Talvez eu me importe em como minhas ações refletem em mim. Se eu me importar, é meu problema, bem como tantos outros que eu vou ter que conviver com isso. Ou não! Tanto faz.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

A Sirene

Ao som de Life for Rent.

Os luzes vermelhas piscavam nos meus olhos. O que eu irei fazer?
A negação acabou e todo teatro já não me engana. Eu sempre soube que perderia o controle quando teria que lidar com o desespero. E eu me desesperei muito fácil, eu precisei me acelerar para fugir dos meus personagens.

Vivendo em um disfarce social que me impedia de me enxergar, eu achava que o retorno da depressão não aconteceria. Mas ela nunca foi embora, ela estava em cada noite sem dormir e em cada manhã sem conseguir acordar. Fugir do isolamento e sublimar outros vícios era apenas um jeito de não sentir, não sofrer com a sua presença.

A sirene tocou. Era o alerta que o espetáculo tinha que acabar, o perigo era outro e esse, eu não aguentava. Então fui forçado a me aguentar, a parar de me evitar e reaprender as vantagens daquilo que eu era. As palavras não me ajudam mais, os textos não se reproduzem mais, mas tenho que tentar. Eu preciso pelo menos aproveitar alguns segundos antes do abate me domar.

Esses luzes piscando mostram o meu reflexo, o meu medo e também o meu sonho. Esse mesmo sonho que ainda existe, mas não sei o que aconteceu com ele. Nem ao menos sei o que aconteceu com essa pessoa. Mas já que voltei a minha versão vulnerável, tenho a opção de seguir esses medos e me lamentar que todos meus personagens não me trouxeram a lugar nenhum, ou os seus sonhos, que para realiza-los só serei capaz se assumir totalmente minha função diante dos olhos de todos.

Eu sei que não vai ser fácil, acho que vou ter que aguentar o sofrimento e até algumas lágrimas, mas cabe a mim decidir se esses sinais vieram para me prender ou para me libertar?

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Qualquer Coisa

Eu gosto muito de ver o mar, de sentir que eu simplesmente posso ir o mais longe possível e desaparecer. Eu sei que eu jamais terei coragem de fato me deixar ir, eu também me sinto corajoso por achar que as águas não conseguirão me pegar. Eu gosto dessa sensação ambígua porque eu não preciso tomar nenhuma decisão e mesmo assim a aventura acontece. A onda me alcança e eu me divirto sem precisar fazer nada.

Não tem nada que me impede de lutar pelos sonhos, de ser aquele protagonista que decide largar tudo e correr atrás daquela vontade que ele reprime nos minutos iniciais do filme. Se eu estou parado, é porque eu quero. É porque eu não sei o que quero. Qual é mesmo o meu sonho? Gosto de me sentir perigoso, de alguma forma o caos sempre me atraiu e meus olhos se arregalam quando vejo uma explosão. Gosto da tranquilidade de uma zona de conforto, simplesmente respirar. E por conseguir ver formas de ser feliz em qualquer situação, eu nunca vou conseguir escolher apenas um caminho e buscar a felicidade nele. Sendo um otimista da vida, eu me tornei um pessimista comigo mesmo. Esse meu papo já está de manhã...

....ENTÃO EU BERRO! Berro pelo meu silêncio e berro pelo medo. Meu coração não vai se quebrar, mas também não vai se completar. E eu berro. Berro pelos valores que inverti, pelo futuro que eu não alcancei.Esse papo já está qualquer coisa, eu já estou para lá de mim. Acho que é hora de dormir.

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Million Dollar Love


As intenções de todos são perversas e por isso eu não vou me preocupar em restringir minhas habilidades pensando se elas são morais. Se é minha arma, eu irei usar, nem que seja para ameaçar e forçar uma guerra invisível aos olhos de mortais.

No jogo eu aposto, preparado para correr na primeira réplica, mas eu me jogo. A derrota não me assusta porque eu não estou interessado no prêmio, apenas não quero que apagam meu fogo.

O que me importa é continuar disputando, enquanto existem adversários, eu disfarço a solidão. É uma forma de não me sentir um derrotado enquanto o glamour e o poder se vão a medida que te disfarças na multidão.

Se você é o melhor, então eu também posso ser. E não interessa se utilizo as piores formas de demonstrar o que eu posso ter. Eu não me importo de deixar meu sangue escorrer, de perder um pedaço da minha alma ou de te afastar ainda mais da minha pele. Eu tenho que mostrar que também tenho o seu poder, tenho que provar que sou capaz de construir um caos mesmo que eu não sobreviva a ele.

 E a gente se usa, a gente se sente, a gente se confunde, se prende a compulsão do poder e do proibido. Não interessa se é amor, jogo ou fortuna, qualquer coisa que podemos ter o controle é válido. É pesado mesmo, mas todos jogamos as cartas que temos e a sua é manipular através do prazer. Então, deixa eu te fazer pensar que me excita até eu encontrar uma forma de te deter.

Tenho que esperar até ter condição de ter em minhas mãos, mas não me peça para ser paciente. Se eu estou disposto a caminhar sozinho, a fingir que não acredito no amor, é porque preciso de uma recompensa que seja eficiente.Enquanto uns disparam balas, outros cospem palavras em um tiro certeiro, eu não consigo desviar. Eu posso exalar perigo, mas não consigo atacar.

E nessa corrida desesperada para criar uma história, misturo o que sempre ansiei com o que nunca consegui em busca do que era apenas uma lenda. Parece que fui vendido, apesar de ter comprado o que todos acharam não estar a venda . Sem tentar criei um enredo ao contrário do que previa, mas que levou ao mesmo resultado. Uma vida acabada antes de ser totalmente explorada e um coração quebrado.

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