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terça-feira, 12 de abril de 2016

O Menino e o Relógio

Está tudo bem, é apenas uma falha, dessas que eu terei que levar para minha vida inteira. O caminho mais colorido sempre foi o mais sombrio e quanto mais eu me afastava dele, mais ele me sugava. Eu caí, eu desisti, eu nem tentei. Tudo bem.

Disparei contra os meus planos fingindo que o relógio era apenas um brinquedo, aceitei ficar parado achando que imóvel seria resistente o suficiente para barrar as areias da ampulheta. Parecia até que eu estava em uma gravação de filme, meu carro estava parado enquanto o cenário se movia, e eu ainda achava que estava avançando. Se sempre me dizia inteligente para todos, como não pude perceber que o tempo estava passando e eu estava no mesmo lugar?

O menino já não é tão só um menino, mas ainda não derrubou o castelo de areia porque não quer perder as regalias de ser um nobre . O conforto dessa construção é apenas pó, mas serve para fingir que vive e ainda parece ser mais atentadora que a liberdade. Fugir desses muros apenas para se refrescar com as chuvas brandas e correr para seus tetos no primeiro sinal de tempestade não é libertação. Seguir o vento não é criar asas, é seguir o fluxo estando despreparado para criar uma direção.

A culpa não pode ser sempre da falta de recurso, da rotina, da incompetência dos demais sendo que eu que estou inserido nesse contexto que só me atrasa. Se hoje sou inimigo do tempo, tenho que procurar formas de reconciliação porque esse é uma guerra que não sou capaz de vencer, e eu não posso passar uma vida inteira acumulando derrotas. Ou pelo menos não queria... Mas o tempo já passou, e essas ideias já mudaram, os ventos se foram e não conseguir estocá-los. Se eu era apenas um garoto, já nem sou mais, ou já nem sei mais.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Um Pouco de Paciência

"Será que é tempo que me falta para perceber?
Será que eu tenho esse tempo para perder?"

O desespero sempre tomou conta da minha vida. Era só eu perceber que eu não poderia ter o que eu queria, que me apressava e perdia aquela mínima chance de conseguir. Nunca entendi o significado da calma quando sempre ouvi que o tempo é curto e não há tempo a perder. E quando mais tempo eu tentava aproveitar, mas tempo eu perdia sem perceber.

Tenha calma...

Amizades, romances, textos, livros, projetos. Tudo que me definia simplesmente estava jogado a minha volta sem eu possuir nada. Eu já não tinha mais o que eu desprezava, já não queria mais o que eu tinha, e eu já sofria sem dar tempo ao futuro.

Tenha alma...

Não quero finalmente aceitar o que eu sempre neguei para continuar sofrendo. Não quero viajar milhares de quilômetros para receber as mesmas frustrações. Não quero perceber que estou desgasto diante várias tentativas, mas continuar vazio. Não quero me desgastar e desistir de ser feliz, mas até agora, nenhum caminho que percorri me levou à felicidade. Percorri entre simplórios e alternativos, rebeldes e alienados, entre aqueles que tinham o que eu queria ser e o que eram o que eu podia ser e vi que a alegria estava em todos os cantos, mas minha única companheira foi o cansaço.

A vida é tão rara...

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Ultrarromântico

Eu realmente acredito que essa vida seja como um sonho. Tão frágil e tão fácil de acabar. Os discursos que eu preparei se perderam sem concretizar, e o que eu sentia, fingia se evaporar, mas havia algo que nunca tinha escapado de mim. Assim, aprendi a construir uma fortaleza sobre minha pele para impedir qualquer tipo de empatia. Não quero que me entendam, eu sou apenas um ridículo mesmo.

Eu que tanto defendi a moral, quero apenas sobreviver. Eu que sempre sofri, neguei tomar comprimidos. Eu não quis melhorar, eu não soube me consertar. Eu que tinha medo do espelho, hoje o encaro todo dia tentando me encontrar. Me mata saber que frases tão clichês conseguem me interpretar, me mata que hoje eu recorro tudo aquilo que eu condenei, porque todos os caminhos alternativos que aspirem trouxeram prodígio e orgulho, mas nunca trouxeram felicidade.
Mas eu não canso, eu não desisto, eu não aprendo. Eu sou chato mesmo, eu sou errado mesmo.

Eu que tanto condenei os valores de uma relação, busco me adaptar a eles. Sempre vivi na base da euforia e escapei de corações arrependidos. Por isso, não me esconda nenhum tipo de sofrimento, eu gosto dele. Eu gosto da dor e do caos, me permita essa escuridão por mais destrutível que ela seja.Então me diz você, porque eu já nem sei se prefiro a tristeza ou a alegria, a realização ou o tesão. Só sei que eu preciso trocar os meus vícios, porque não aguento mais o vazio, mas é ele que eu sempre recorro, é a única válvula de escape que eu tenho. Então não precisa me aguentar, nem me aceitar. Eu sou insuportável mesmo.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Memórias da Solidão


O tempo passou, eu sei.

Aprendi a aceitar o amor, a loucura e até a tristeza, mas não me preocupei em reagir a um furacão que a todo hora vem até mim querendo me devorar, todo vento dele já está dentro de mim de qualquer forma. Estou quebrado, caído, mas eu quero continuar sangrando porque a sua cura é a realidade alternativa.

Não digo que você é uma droga, porque é sua ausência que me vicia. Eu quero te perseguir, quero que você venha me salvar, mas eu não consigo me mover. É minha alternativa para a normalidade. É meu paraíso em chamas. É a razão da minha persistência. É um aviso para a vida não ser em vão.

Eu sei que não faz sentido, eu sei que é exagerado, mas é como eu sei lidar. Sem condições de realizar as fantasias, apenas delirando que você se encontra no mesmo inferno astral que eu. Mesmo quando estamos diante do outro, iremos inventar um motivo para evitar a consumação e ainda achar que não somos culpados. Isso é péssimo, é uma dor, é um vazio, mas eu quero mais. Eu não consigo largar, eu não quero perceber, quero sangrar ainda mais. Apenas oro para você continuar respirando quando amanhecer. Enquanto eu... sangro até a morte



Ao som de Velvet Crowbar.

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Arrumação

Dias de revirar a memória com as frases prontas que um dia eu fiz e que continuam fazendo o mesmo enfeito.

Sei que não é correto deixar a vida simplesmente passar e apenas aspirar a sobrevivência vaga de um futuro estagnado nos mesmos vestígios do passado. Mas não quero me ariscar e mudar totalmente minha vida por uma simples tentativa de consertar o que venho reclamando desde que aprendi usar os versos para continuar sofrendo. Já descobri que minha utopia é totalmente alcançável,mas não quero simplesmente me livrar da solidão para continuar com os conflitos em plenas noite de solidão.

Ninguém pode tirar de mim os momentos que vivi, e o que eu não vivi. Porr isso não quero simplesmente corrigir e continuar sendo assombrado pelo passado, aquele que quando eu pensava estar em um infalível disfarce, expôs todas as minhas fraquezas. É aquele que eu simplesmente terei que aceitar por todo resto de minha vida.Isso explica minha restrição social, se antes eu era incapaz de popularidade, hoje eu a evito.


Não escondo de ninguém meus lamentos, e não é por jogo, é por incompetência mesmo. Minha estratégia é apenas guardar um último suspiro para o próxima hora. Enquanto essa não chegar, me contento em apenas apreciar a paisagem, porque ela será efêmera, assim como eu.

Eu não me importo em viver em uma guerra com o mundo, porque toda vez que eu quis a paz, eu fui nocauteado. Se for para essa antítese existir, que exploda tudo para que fique tranquilo, eu não me importo em ir junto com ele. Acredite, eu sei como aguentar, eu sou uma mentira, mas você pode confiar. Pode explodir, eu garanto que sobrevivo.

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